“Vidas Secas”: crítico literário comenta obra de Graciliano Ramos

Em entrevista ao programa Literatura, da UNIVESP TV, Zenir Campos Reis, professor aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH–USP), fala sobre um clássico da literatura brasileira, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, publicado em 1938. Reis é critico literário da obra do escritor e de romances da década de 1930. O livro narra a história de uma família de retirantes nordestinos que fogem da seca e da miséria, contando também sobre as suas relações familiares, a falta de perspectiva para o futuro e a opressão social que eram submetidos. De acordo com Reis, na escrita de Graciliano Ramos, sofrida e trabalhada, cada palavra tinha um peso. “Se a gente não ler e reler, muita coisa escapa. Ele tem um uso do tempo condicional, que a gente hoje chama de futuro do pretérito”, comenta. Confira a entrevista completa:
Luiz Carlos Prestes, um comunista brasileiro

O livro Luiz Carlos Prestes – Um Comunista Brasileiro conta a trajetória de um dos políticos mais conhecidos do Brasil. E traz detalhes sobre a sua participação no movimento tenentista, a elaboração da coluna que levou o seu nome, o movimento antifascista contra Getúlio Vargas, que inscreveu o seu nome na trajetória política social no país, e o seu vínculo com o marxismo político. A biografia com 19 capítulos e mais de 500 páginas contém fotos e manuscritos de correspondências pessoais. Anita Leocádia Prestes, historiadora formada pela Universidade Federal Fluminense do Rio de Janeiro (UFF-RJ) e filha de Luiz Carlos Prestes, fala sobre a biografia política que escreveu sobre o pai em entrevista à UNIVESP TV. Luiz Carlos Prestes, em seus 92 anos de vida, dedicou 70 à atuação política no Brasil e no exterior.Para a elaboração do livro, a historiadora analisou trinta anos de documentos e arquivos originais sobre ele, separando a pesquisa em partes. “Primeiro foi a Coluna Prestes, minha tese de doutorado defendida em 1989. Depois eu fui trabalhando por diferentes períodos, até chegar aos 92 anos dele, [na década de] 1990”. Sobre a relação com o pai, Anita comenta: “Eu admiro o meu pai, mas tenho objetividade […]. Todos os problemas políticos a gente costumava discutir, trocar ideias. Eu tive sim, uma atuação muito próxima dele”, relata. Confira a entrevista completa com Anita Leocádia Prestes:
O jornalismo infantil e a participação das crianças, em Portugal e no Brasil

É possível produzir pautas e matérias jornalísticas a partir do envolvimento de crianças? Buscando respostas para este questionamento, a pesquisadora e jornalista Juliana Doretto, da Universidade Nova de Lisboa, desenvolveu a sua tese “Fala connosco”: o jornalismo infantil e a participação das crianças, em Portugal e no Brasil. A pesquisa se concentra na participação das crianças no jornalismo feito para o universo infantil. Essa participação, segundo a jornalista, pode ser considerada como toda forma de contato que esse público possui com os veículos produzidos para ele. A análise foi baseada nas cartas e e-mails enviados pelo pequeninos para as revistas Visão Junior (portuguesa) e Ciência Hoje das crianças (brasileira). Olhar crítico Doretto entrevistou profissionais que fazem periodismo infantil – área que, segundo ela, ainda sofre preconceito no meio jornalístico, o que implica em salários achatados. “Os pares jornalistas tendem a pensar no jornalismo para crianças como algo menor, no sentido de ser mais fácil, de ser bobo, ingênuo – é uma coisinha que se escreve para criança -, qualquer um faz”, discorreu. “O que eu observei, principalmente na revista brasileira, é que […] as crianças pedem aquilo que elas veem e gostam, e o jornalista precisa oferecer algo que as crianças nem sabem que gostam”, analisou. A pesquisadora também ouviu 51 crianças de 9 a 16 anos, de classes média e média-alta, no Brasil e em Portugal, por meio de entrevistas em grupos de foco. De acordo com a pesquisadora, escutar o que os jovens tinham a dizer foi o momento mais interessante do trabalho. “A parte em que eu me diverti mais. Não é difícil ouvir as crianças, muito pelo contrário, o difícil é saber como ouvi-las e como falar com elas”, afirmou. De acordo com Doretto, as crianças olham para o jornalismo de um modo geral com perspicácia: criticam o jornalismo adulto pelo excesso de informações, pela repetição constante de notícias e pelo sensacionalismo. Os pequenos também reclamam da violência, do excesso de notícias negativas e do jornalismo infanto-juvenil. “As crianças não vivem num mundo à parte, elas vivem no mesmo mundo que os adultos. […] Há uma série de temas relacionados às crianças, mas o [universo] delas é o mesmo nosso. Elas conseguem entender muito bem quando o jornalismo falha”, afirmou. Noticiário com linguagem de criança Ao estudar em Portugal, Doretto percebeu diferenças nas referências culturais entre as amostras de crianças dos dois países, o que teria como principal elemento diferenciador a desigualdade social. De acordo com a jornalista, apesar de Portugal ser considerado um dos países pobres da Comunidade Europeia, a questão da edução está mais bem resolvida do que no Brasil. Segundo a jornalista, ainda faltam conteúdos jornalísticos voltados para o público infantil brasileiro, sejam impressos, na televisão ou internet. “A TV ainda é um veículo extremante importante para as crianças menores, por que elas têm um acesso mais controlado às novas tecnologias”, analisa. Doretto afirma que, se houvesse investimento, seria possível traduzir o noticiário adulto para a linguagem da criança, auxiliando-as a entender assuntos atuais que dizem respeito à sociedade. “A presença de um telejornal para crianças, especialmente na TV pública brasileira, com uma programação mais qualificada, educativa, e que não seja tão ligada às audiências, é uma lacuna bastante grande no Brasil”. Confira a entrevista completa:
Origens históricas do desemprego no Brasil

Em entrevista ao programa Fala, Doutor, da UNIVESP TV, Pedro Henrique Evangelista Duarte, professor adjunto do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, comenta sua tese de doutorado, intitulada “Superpopulação relativa, dependência e marginalidade: ensaio sobre o excedente de mão de obra no Brasil”, defendida no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas. O economista analisou os índices de desemprego no Brasil entre as décadas 1940 e 1950, buscando na sua origem, a influência nos dias atuais. Como embasamento teórico, o economista utilizou teses de Karl Marx e de autores latino-americanos. “O fundamento do estudo foi testar a aplicabilidade da tese de Marx [no] caso da economia brasileira”, comenta Duarte. O estudo, segundo o pesquisador, partiu da uma perspectiva histórica, entendendo que o desemprego é um problema que faz parte da estrutura econômica brasileira, e que para analisar essa questão, seria necessário entender essa dinâmica historicamente. ”Como que o excedente de mão de obra (indivíduos que estão desocupados ou trabalhadores autônomos), foi historicamente constituído, e a partir disso, qual foi sua dinâmica ao longo do avanço da economia brasileira”. Confira a entrevista completa:
UNIVESP inicia curso de formação de professores para profissionais da Polícia Militar de SP

Aconteceu na manhã da terça-feira (29), no auditório do Centro de Operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo (COPOM), na região central da capital paulista, a aula inaugural do Curso de Formação de Professores-Autores para a Polícia Militar SP, oferecido pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP) para profissionais da corporação. O objetivo do curso é formar policiais militares para atuarem como professores em cursos a serem futuramente oferecido a policiais de todo o Estado na modalidade a distância (EaD). O encontro, que marcou o início das atividades do curso, contou com palestra do Prof. Dr. Waldomiro Loyolla, diretor acadêmico da UNIVESP. Loyolla destacou a capilaridade da Polícia Militar, presente em todos os municípios do Estado, e a importância da EaD para alcançar todos esses profissionais, possibilitando a sua capacitação. “Ao invés de trazer alunos de todo o Estado até um especialista, a educação mediada por tecnologias permite levar a competência daquele professor a milhares de alunos”, comentou. Coronel Reynaldo Simões Rossi, diretor de Ensino e Cultura da Polícia Militar do Estado de São Paulo (DEC/PMESP), destacou a importância da cooperação com a UNIVESP, buscando a expertise da instituição na área de ensino a distância para “acessar o policial militar em qualquer lugar e em qualquer momento e criar oportunidades para que ele possa desenvolver as suas potencialidades”. Sobre o curso O curso de extensão que teve início nesta semana tem carga de 60 horas divididas em atividades a serem desenvolvidas ao longo de sete semanas. Os alunos matriculados acessam os conteúdos de cada módulo no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) mediante login na página do curso: http://pmesp.univesp.br/ De acordo com o Capitão Miguel Jodas, coordenador da divisão de ensino do DEC/PMESP, o curso foi pensado e desenvolvido de forma personalizada para o público da Polícia Militar. As atividades serão ministradas e acompanhadas pela equipe de Design Instrucional (DI) da UNIVESP, composta por Elizabete Briani Macedo Gara (coordenadora), Edison Trombeta e Nádia Pirillo. A estrutura e a plataforma do curso foram apresentadas pelos profissionais de DI, que enfatizaram o fato de este ser um curso dinâmico, construído pelos conteúdos e atividades que serão disponibilizados semanalmente, bem como pela interação entre os alunos ao longo do seu desenvolvimento. “É importante que a comunicação entre os participantes seja a mais fluida possível”, destacou Elizabete.
A relação entre a expansão cafeeira e a urbanização em São Paulo

Nesta edição do programa História, da UNIVESP TV, Flávio Azevedo Marques Saes, professor titular em economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA–USP), fala sobre a relação entre a expansão cafeeira e a urbanização em São Paulo. Saes ressalta a participação da mão de obra imigrante nesse processo, já que a partir de 1870 o trabalho escravo começava a se mostrar insuficiente para atender à expansão de café. “Há uma verdadeira mobilização dos próprios fazendeiros de café junto com o governo da província de São paulo pra promover a imigração. […] O imigrante na fase clássica dessa imigração, é contatado na Europa, recebe o dinheiro da passagem de navio, desce em Santos e pega o trem para chegar a São Paulo”. De acordo com o pesquisador, a importância da expansão cafeeira para o desenvolvimento e transformação do estado de São Paulo se dá, principalmente, pelo “fim do escravismo e [pela] generalização do trabalho livre. Essa é uma mudança crucial que ocorre no bojo da expansão cafeeira”. Acompanhe a entrevista completa:
“Diálogo sobre a conversão do gentio”, por Padre Manuel da Nóbrega

A obra Diálogo sobre a Conversão do Gentio, escrita pelo padre jesuíta Manuel da Nóbrega entre 1556 e 1557, é tema da nova série sobre literatura da UNIVESP TV sobre livros escritos em língua portuguesa. Alcir Pécora, professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/Unicamp), explica como interpretar este que é considerado um dos primeiros textos literários escritos no Brasil. O texto mostra o diálogo entre dois irmãos portugueses, Mateus Nogueira e Gonçalo Álvares, que tinham visões diferentes a respeito da conversão dos índios, da colonização e da inserção dos jesuítas no processo. “No caso desse texto, a grande questão é saber qual o método adequado de conversão, e se essa conversão é possível”, comenta Pécora. Para o professor, é possível estudar o texto de várias maneiras. A primeira seria analisá-lo na forma de diálogo, que é quando a conversa se coloca no texto e “existe uma situação de dúvida, de polêmica, em que se colocam posições diversas em jogo”. Em termos históricos, Pécora avalia que o texto é objetivo ao evidenciar o método utilizado pelos jesuítas para iniciar uma relação com os índios. A obra revela o modo “de se estabelecer o contato com os indígenas, e a forma de relacionamento com os moradores, com o governo, enfim, todo o processo de colonização compreendido por ele [Padre Manuel da Nóbrega] ”. “É um texto decisivo no estabelecimento das práticas jesuíticas no Brasil. É importante do ponto de vista literário, porque como gênero do diálogo, ele tem um tipo de estruturação exemplar […]”, conclui Pécora. Confira aqui a entrevista completa:
Especialista avalia o primeiro ano do Plano Nacional de Educação

Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, avalia o primeiro ano do Plano Nacional de Educação (PNE) e comenta a regulamentação do CAQI (custo aluno-qualidade inicial), em entrevista para a UNIVESP TV. O especialista destaca que, entre as metas estabelecidas, a que se refere à alfabetização já não foi cumprida: “Nós deveríamos ter reduzido o analfabetismo de jovens e adultos a cerca de 93,5% da população em 2015, [mas] não conseguimos atingir esse patamar”, comenta. De acordo com Cara, o Ministério da Educação constituiu uma comissão para viabilizar até 2019, a implementação do CAQI, dispositivo desenvolvido pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Para o entrevistado, trata-se de “[…] um mecanismo que organizaria a maneira como se estrutura o orçamento público na área, aumentando as iniciativas de controle social, e melhorando a qualidade na educação em cada escola pública brasileira”. Sobre as perspectivas de avanços com a atual crise política, comenta: “O PNE é uma legislação que demanda outras legislações […], e nada está caminhando no Congresso Nacional”. Confira a entrevista completa:
Sabe o que é Cygnus X-1 ?

Nesta edição da série semanal “Céu da Semana”, da UNIVESP TV, o astrofísico Gustavo Rojas, do Laboratório Aberto de Interatividade (LAbI) da Universidade Federal de São Carlos, fala sobre o Cygnus X-1, o primeiro objeto identificado como um possível buraco negro – um corpo com 15 vezes a massa do Sol, mas compactado em um diâmetro de 50 quilômetros, onde o campo gravitacional é tão intenso que nem a luz consegue escapar. O que ver no céu desta semana Quatro planetas estão visíveis no céu durante esta semana: Júpiter surge no início da noite, na constelação de Leão, e pode ser observado até as 04h30; Marte pode ser observado a partir das 21h30, na constelação de Escorpião; Vênus surge às 05h30, na constelação de Peixes; Saturno aparece às 22h00, na Constelação do Ofiúco. Assista ao vídeo e saiba mais:
Padecer no paraíso?

A historiadora Marcela Boni Evangelista, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH–USP), fala sobre o seu livro Padecer no paraíso? Experiências de mães de jovens em conflito com a lei, onde aborda a realidade de vida de mães de jovens infratores vindos da periferia com envolvimento no mundo do crime e das drogas. O trabalho é fruto da sua dissertação de mestrado, defendida em 2011 no Departamento de História da USP. Apoiada nos relatos de mães de jovens infratores, a autora nos permite compreender as circunstâncias sociais, econômicas e culturais que levam às situações de risco vividas pelas famílias. Segundo a pesquisadora, o livro partiu da ideia de trazer o ponto de vista delas sobre o tema. As entrevistas com as seis mulheres protagonistas no livro foram colhidas a partir de um grupo de mães militantes na causa, a Associação de Mães e Amigos da Criança e do Adolescente em Risco (Amar). Relata-se, ainda, a luta das mães dos internos da antigaFebem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor), para melhorar as condições de internamento de seus filhos, buscando criar um ambiente que fosse realmente socioeducativo e não apenas penal. As histórias, de acordo com Evangelista, permitem que esse ambiente seja retratado de uma forma diferente daquele do viés do preconceito. “O problema das drogas na nossa sociedade, ele não é exclusividade de um grupo. Mas, infelizmente, é exclusividade de um grupo não ter acesso aos tratamentos”, avalia. Confira a entrevista completa: